do lado de fora.
Cansamos de esperar convite. Fomos
no escuro, de pé-de-cabra na mão
e acertamos somente nas paredes
e só naquelas que caíram
e a essas fomos chamando de portas.
Os golpes voltavam pelos braços
e os corredores, lá dentro, rendiam
com o passo, e o passo rendia.
A planta cotava, no centro, um cômodo
de três por quatro, sem janelas.
Chegamos ao lugar dele. A casa
não contava com aquele chão.
Nos lançamos à última das portas
e fomos dar de joelhos num campo,
o mesmo de onde viemos, uma noite
mais velho, o orvalho já subindo
da grama, as ferramentas ainda quentes.
A casa inteira dá para fora.
II
Quando saímos, ela ainda estava
sentada na pedra que sobrou da obra,
com o ar de quem passou a vida do lado de fora,
deposta, e visivelmente aliviada,
o véu batendo contra o vento.
Quando ainda lhe perguntam o segredo,
dá de ombros com o horizonte inteiro.
À luz da lanterna, no verso da planta,
ainda a debuxamos,
cada um do seu jeito errado.
Ela posa. Acha graça
de sair sempre diferente
e de nunca sair.
Quando um de nós pousa a marreta
para amarrar o sapato, o cabo
demora a largar-lhe os dedos. Ela
apanha a lanterna e a muda de lado,
até tirar de cima do nó
a sombra das mãos.